Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Eztetyka do Sonho

“O artista deve manter sua liberdade diante de qualquer circunstância.”
[Gláuber Rocha, "Eztetyka do Sonho", 1971]


Outro problema grande na indústria cinematográfica brasileira é exatamente a concepção de cinema como indústria e não como arte. Na época do Cinema Novo, fazer filmes viscerais e de cunho político e social era ir de frente contra o conformismo da burguesia brasileira. Hoje, a criação destes tipos de filme parece ser a nova moda do momento. Para ser respeitado hoje, um filme precisa ser sobre favelas ou sobre a miséria nordestina. Não que estas questões não precisem ser colocadas ao mundo ou até retomadas, vistas de diferentes pontos de vista, mas não como uma forma de entretenimento. A violência nas favelas e a pobreza do povo nordestino agora viraram moda; virou divertido idolatrar traficantes de drogas ou capitães Nascimento, repetindo besteiras e ignorando a realidade. É surreal ver este tipo de comportamento com relação a assuntos tão sérios e gritantes de nossa sociedade. Não passa, mais uma vez, da manipulação e conformismo citados por Gláuber há mais de trinta anos atrás; só que agora nossos próprios problemas, nossa própria fome, nossa própria miséria – citados por Gláuber como nossa única e verdadeira fonte de poder – estão sendo usados como armas para transformar todo este horror em ficção científica.

O fato é que enlataram nossa fome. Patentearam-na e agora estão exportando ao mundo, com sorrisos felizes e desavergonhados. Nossa miséria transformou-se em cartão postal. Sendo assim, nada mais lógico do que patentear o cinema desta forma. Os filmes brasileiros (que vão para as salas de cinema) podem ser divididos em duas categorias: os divertidos e fúteis – para a diversão vazia da burguesia enjaulada em seus condomínios e shoppings; e os de cunho social – os levados a sério, mandados para festivais internacionais e consagrados pela crítica mundial. Os primeiros não merecem comentário, já os segundos fazem parte dos criticados acima. Tais filmes são realmente bons e merecem a consagração. O lado positivo deles é a abertura das portas internacionais para o cinema brasileiro. O problema é quando a arte é confinada a um molde. E o cinema brasileiro sério parece ter sido enlatado neste molde social para que só assim tenha chance de chamar atenção além-fronteiras. Isto, além de ser extremamente restritivo, ainda esconde o preconceito com relação à capacidade criativa de nossos artistas, além de oferecer base de apoio ao conformismo em relação às leis do “homem civilizado”.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

RIP




Michael's Cotton Belt voltou pra seu planeta de origem exatamente no dia do aniversário de seu ex-fã mais fervoroso, João.

É. Foi uma linda história de amor.

Total soulmates never die.

Mas João já não ligava mais pra Michael e Michael foi caindo em desuso, foi entrando em decadência, até o fato culminante de sua morte.

Se você parar bem para ouvir, ainda pode conseguir escutar alguém gritando ao longe:

"Michael, Michael... eles não ligam pra gente."

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Hipocrisia Digitalizada

Es mejor morir de pie que vivir de rodillas.

[Che Guevara]

Gostei de ter ouvido ontem da boca da minha professora de roteiro - quem admiro bastante - que essa coisa de "politicamente correto" é um vírus comedor de carne que estourou nos EUA e, consequentemente (como somos pela-sacos oficiais), invadiu as terras tupiniquins. É um vírus mortal, aterrador e debilitante que estraga qualquer cabeça sã ainda existente nesta sociedadezinha de merda que é a nossa.

Não sou completamente contra o tal "politicamente correto". Como esta minha professora mesmo disse (e eu assino embaixo): ele serviu pra várias coisas bastante importantes, como, por exemplo, a diminuição do preconceito. É interessante perceber que, hoje em dia, "pega mal" chamar alguém de crioulo, nigger, ou seja lá o que se passa nas mentes doentias de seres inferiores que não sabem fazer nada além de tentar diminuir os outros abaixo da sua própria debilitação social e mental. Isto é mais do que interessante; é ótimo. Mas, convenhamos, já chegamos ao ponto em que você não pode falar "guerra" em um programa infantil de TV porque "é uma palavra muito forte pras crianças". Tipo, OI?!?!?!?! SURREAL, sabe?

Ah, meu filho, HELLO?? Beijo, vai ver se eu tô lá na esquina.

Isto, além de OVERlimitador, poderia até ser chamado de censura branca. E não adianta vir tentar me desmentir porque todos sabemos que o mundo de hoje é isso aí. A podridão escondida atrás de uma máscara bonitinha e verde.

É. É moda usar verde agora. Tipo quando o Gabeira tava no Partido Verde e todos os maconheiros achavam super divertido usar verde porque "pô, o Gabeira é mó legal. Ele é maconheiro que nem nós. Tudo certo, tudo em paz. Woohoo!!" Bem por aí.

Agora, gente que fala o que tem que falar mesmo e foda-se. Gente que tem culhão pra ser honesto e derramar sua opinião no mundo, por mais que esta seja controversa; este é criticado e humilhado. Ah minha gente, prefiro muito mais UM ser com culhões pra vomitar a sua verdade (como o Chavez, por exemplo) do que um milhão de fantoches manipulado(re)s (tipo o Bush).

E não, preferir não é sinônimo de concordar com tudo o que estas pessoas fazem e dizem. É só uma questão de ter mais respeito por alguém com personalidade, mesmo que esta seja do mal. E não, respeito não é sinônimo de adoração, muito menos de semelhança de ideias. Respeito aqui é aquele mesmo respeito que você tem pelos seus grandes inimigos. É apenas o que é. Uma palavra.

E, neste caso, tenho muito mais respeito pelo meu colega de classe que tem culhões de gritar pra todos sobre o absurdo que aconteceu há pouco tempo atrás numa invasão da Maré, sendo ele um morador e sujeito a represalhas, do que pelos trocentos que seguem trends politicamente corretos da semana online.

Vocês me desculpem, mas é.

E que venham as pedras.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Oh meu Mengão, eu gosto de você!!

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Eztetyka da Fome

“Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.”

“O cinema novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas conseqüentes de sua existência.”

[Gláuber Rocha, "Eztetyka da Fome", 1965]

Parece que, hoje em dia, o cinema brasileiro possui esta tendência de “agradar” o olhar de fora. O que, um dia, fora um meio de manipular a massa com relação ao não-conformismo com a ditadura, passa agora a ser meio de manipulação comercial.

Antigamente, tentavam suprimir o Cinema Novo com o intuito de calar a verdade de um povo enquanto abriam as portas para filmes sem conteúdo – fúteis e estéreis – para alienar uma população escrava do medo vermelho. Hoje em dia, sem a ameaça comunista a nos “assolar”, o mercado cinematográfico mudou de cor e aparência.

Nossos problemas sociais, no entanto, continuam praticamente os mesmos; senão ainda maiores.

Podem cochichar que a ditadura inexiste, mas esta ainda vive gritando por aí, disfarçada de “censura” comercial. O que temos agora não é a censura política, e sim a indecência do capitalismo, que mata a arte e comemora o dinheiro. Por esta questão, o andamento de um filme brasileiro, hoje em dia, depende de quanto este lucrará em retorno. Para conseguirmos ver arte cinematográfica brasileira nas salas de cinema, hoje em dia, precisamos garimpar muito.

Sim, as portas parecem ter sido abertas para nós novamente, depois de tantos anos mórbidos, mas tudo aqui parece ser ditado pelo que vem de fora. Neste momento, a regra é a crise. Sim, precisa-se de dinheiro para fazer filmes, mas não é só isto que consiste um filme. Na Índia, são feitos mais filmes do que em qualquer outro lugar do mundo e o país ainda é considerado pobre.

O dinheiro não pode ser desculpa para a falta de interesse cultural e de produções artísticas. Segundo o próprio Gláuber, a arte é ilógica, ela não se submete a racionalidades capitalistas mesquinhas. Porém, infelizmente, quando olhamos para os nossos filmes que fazem sucesso lá fora - todos estes que supostamente retratam nossas vidas, nossa miséria, nossa fome, nosso horror, nossa realidade - vemos o estupro cultural e a capitalização em cima da ignorância e do conformismo social.

No entanto, esta realidade não pode ser considerada a mesma que Gláuber descreveu nos anos 60. Não há resquício de arte revolucionária nos filmes de hoje. Talvez porque não haja mais resquício de espírito revolucionário nas pessoas. A globalização parece ter feito de nós soldados inertes e cabisbaixos, dormentes enaltecedores da futilidade comercial. Parece que tudo o que queremos hoje em dia é sermos vistos globalmente; admirados e idolatrados, como grandes macacos de imitação circenses.

Parece esta a nova questão. E, para isto, enlatamos nossa realidade aos moldes de Hollywood. Transformamos guerras de traficantes em ficções científicas à la Matrix; favelas em glamurosos bairros de gangues; enaltecemos o fascismo como resposta à anarquia. Tudo isto para chamar a atenção do tal “homem civilizado” de Gláuber - para que eles abram os olhos para o cinema brasileiro - mas não faz com que realmente compreendam o que se passa por aqui.

E todo este glamour patético passa pelos cinéfilos do primeiro mundo como se fosse mais um seriado de TV, ou mais um filme de guerra, ou mais um filme de coisas que só acontecem em países subdesenvolvidos. E eles gostam, admiram, sim, porque é bom ver o caos alheio sem fazer nada a respeito; é bom fingir que tudo aquilo é apenas ficção; é bom saber que o país deles é melhor do que o nosso. Estes filmes passam esta imagem. Sendo assim, a "superioridade" dos "civilizados" continua intacta e o seu paternalismo pueril volta a nos passar a mão cuspida na cabeça, nos adulando com cautela, mas tendo sempre certeza de que, ao final de tudo, beijaremos esta mão e agradeceremos o cuspe.

Ao transformar nossa realidade em enlatado hollywoodiano, nós ousamos nos comparar a eles, mas eles nunca ousam se comparar a nós. Para nós, ser como eles, é galgar um degrau; para eles há apenas o distanciamento da ignorância. Somos como formigas: eles sabem que existimos, eles sabem que mordemos, mas eles sabem que a qualquer momento, podem facilmente nos esmagar.

Não conseguimos passar o que vivemos para eles e nem eles conseguem realmente entender nossa realidade; tudo pelo simples fato de tentarmos usar a sua fórmula para traduzir a nossa voz.

Apenas conseguiremos nos libertar desta escravidão artística quando aprendermos a quebrar os grilhões da fôrma de bolo do “homem civilizado” e abrirmos as portas à criatividade própria e visceral de nossas centenas de cineastas marginalizados e emudecidos pela cega e surda regra capitalista.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Gastei trinta dias para ir do Rocio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso. Que, em verdade, ha dous meios de granjear a vontade das mulheres: o violento, como o touro de Europa, e o insinuativo, como o cisne de Leda e a chuva de ouro de Dânae, três inventos do padre Zeus; que, por estarem fora da moda, aí ficam trocados no cavalo e no asno. Não direi as traças que urdi, nem as peitas, nem as alternativas de confiança e temor, nem as esperas baldadas, nem nenhuma outra dessas cousas preliminares. Afirmo-lhes que o asno foi digno do corcel, -- um asno de Sancho, deveras filósofo, que me levou à casa dela, no fim do citado período; apeei-me, bati-lhe na anca e mandei-o pastar.

[Machado de Assis IN.: Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881]


Amo a ironia e o sarcasmo de Machado. Nunca pensei que fosse, um dia, amar tanto lê-lo. Isso porque, antigamente, lá nos idos da minha infância, eu tinha ojeriza a livros de autores brasileiros, principalmente a livros de Machado de Assis. Tudo nele me irritava, mas principalmente a tendência à descrição dos lugares e coisas. Minha mãe adorava como ele descrevia o Rio de Janeiro, e fazia comparações com o Rio de hoje em dia, se divertindo a cada capítulo. Já eu, queria assassinar o defunto, principalmente porque já conhecia o Rio de cór e salteado. Hoje em dia, no entanto, nem acho mais que existam tantas descrições assim em seus livros. E a lindeza da brevidade dos capítulos me impele ainda mais à leitura. Eu sou daquelas com DDA que precisa de capítulos breves e sucintos e parece que Machado me entende bastante neste quesito.

Marcela abanou a cabeça com um ar de lástima:

--Não percebeste que era mentira, que eu dizia isso para te não molestar? Vem cá, chiquito, não sejas assim desconfiado comigo.. . Amei a outro; que importa, se acabou? Um dia, quando- nos separarmos. . .

--Não digas isso! bradei eu.

--Tudo cessa! Um dia. . .

Não pode acabar; um soluço estrangulou-lhe a voz; estendeu as mãos, tomou das minhas, conchegou-me ao seio, e sussurrou-me baixo ao ouvido: Nunca, nunca, meu amor! Eu agradeci-lho com os olhos úmidos. No dia seguinte levei-lhe o colar que havia recusado.

--Para te lembrares de mim, quando nos separarmos, disse eu.

Marcela teve primeiro um silêncio indignado; depois fez um gesto magnífico: tentou atirar o colar à rua. Eu retive-lhe o braço; pedi-lhe muito que não me fizesse tal desfeita, que ficasse com a jóia. Sorriu e ficou.

[Machado de Assis IN.: Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881]



E agora, lendo Memórias Póstumas, penso no tempo que perdi evitando o autor. Porém, largo mão de chorar o leite derramado quando penso em algo que minha mãe me disse um dia: "Todas as coisas têm seu tempo certo." E também é assim com autores e livros. Existem livros na minha estante que comprei e sempre quis ler, mas que ainda não tive o impulso de abrir e regozijar de sua sabedoria. De qualquer forma, não me desanimo; muito pelo contrário, me empolga a previsão do momento certo, da hora exata em que algo me chamará atenção para aquela específica história e eu descobrirei prazerosamente mais um livro que mudará minha vida; talvez até vire um preferido ou mude minha forma de pensar de tal maneira que me seja essencial lê-lo novamente.

Até lá, vou lendo tudo de Machado que vir pela frente..

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

i'm your toy, 20th century boy

I believe that the more personal you make something, the more universal it becomes, because we're all essentially made out of the same emotional stuff. When you purposefully go out of your way to try and write something that is universal, you usually fall into the realm of cliché. You end up sounding like Oasis a little bit, singing this soccer-terrace chant kind of thing. For me, it has the tendency to lack a great deal of substance. Or you end up doing such unbelievably ambiguous and vague platitude--a la Coldplay--that it actually doesn't mean anything if you're really looking deeper. So, what we try to do is kind of keep it close to our chest and really talk about what's obviously deep down and subconscious in us that needs to come out. Because of that sort of emotional nudity, it cuts through all the bullshit and goes directly to people's hearts.

[Brian Molko, Alternative Press, 2009]


Essa entrevista com o Brian que saiu hoje tem umas tiradas sensacionais. Eu sempre gosto de ler entrevistas individuais com o Brian porque eu sempre me divirto horrores. Eu amo o cinismo dele, apesar dele dizer que gosta de estar com o menino Steve (o novo batera) para que tal cinismo se dissipe. Mas o cinismo é a graça do Brian, e sempre foi. O cinismo e o sarcasmo. E ler essa entrevista me fez voltar um pouquinho no tempo e voltar a idolatrá-lo. Aliás, estou empolgada novamente com Placebo porque o Battle For the Sun é perfeito e tudo indica que ano que vem eles estarão por aqui novamente. =)

Bom, eu coloquei esta citação aí em cima porque achei bastante interessante o que ele disse sobre o jeito de se escrever música. Nunca tinha lido algo tão sincero e verdadeiro vindo de um músico que já faz sucesso há 15 anos. Geralmente, como ele mesmo disse, estes já estão mais do que cínicos e, como o velho Mozz, já se acham horrores. Acabam sofrendo da doença zaratústrica que comentei no último post. É inevitável.

Mas o Brian, em vez disso, mandou muito bem com esse comentário. E mandou melhor ainda quando comentou diretamente sobre o som do Oasis. (Sim, desculpa Samuca, mas é.) E ainda melhor quando comentou sobre o som do Coldplay - que, apesar de me agradar, tinha algo que me incomodava que eu nunca soube put my finger on. E o Brian totally nailed it! Essa coisa de etérea e universal nas letras deles - principalmente depois do X&Y - é IRRITANTE, porque, como o Brian diz, se formos olhar de perto, não quer dizer porra nenhuma.

E acho que ele tem toda a razão neste aspecto. Ainda mais quando fala do Cure e do Depeche Mode como grande exemplos (em outra parte da entrevista): essas bandas, assim como o Placebo, sempre têm as músicas mais viscerais e letras mais verdadeiras. E sempre são músicas bastante pessoais. E isso é bom de saber porque eu sempre acho que estou escrevendo a historinha da minha vida nas minhas músicas e fico achando que isso seja meio egocêntrico da minha parte, mas lendo isso agora, percebo que faz total sentido. O que é lindo porque não preciso mudar meu ponto de vista. ;)


Forgive me for being unnecessarily brutal, but it's a little bit pathetic if you start writing songs about ex-drummers.

[Brian Molko, Alternative Press, 2009]



É impressão minha ou essa frase foi uma indireta (muito direta, por sinal) pro Billy Corgan? HAHAHAHAAHAHAHAH! Porque se foi, eu AMEI! Só o Brian com seu cinismo escroto é capaz de uma dessas e de me fazer rir até cair no chão.

E quando eu digo Billy Corgan foi porque, depois que o Jimmy Chamberlin foi expulso da banda (no meio de 96), a Billa maluca escreveu milhões de músicas deprês pro Adore (que saiu em 1998), sendo uma delas "Shame", que fala sobre o Jimmy.

HAHAHAHAHAHAAHAHAH! Eu amo o Brian.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

one and one make two

I don't wanna be your other half
I believe that one and one make two.
[Alanis Morissette - Not the Doctor]


A mulher ideal é independente. Tem uma carreira, amigos, adora se divertir, é dedicada, carinhosa, porém independente. A mulher ideal não é aquela que é a outra metade. É a que é inteira.

[Luana Piovani, Revista Domingo do JB, Junho de 2009]


Primeira vez na vida que li algo decente vindo da Luana Piovani. Tive que vir aqui compartilhar com o mundo, não é mesmo? Afinal, a capa da revista já tinha me dado nojo sobre o conteúdo da entrevista. Sei lá por que - talvez para ter ainda mais com o que me irritar - resolvi ler mesmo assim. Não foi minha surpresa quando vi que, mais uma vez, os jornalistas tentam o sensacionalismo, colocando palavras inexistentes na boca das pessoas. O nojo que eu tive da atriz se dissipou quando li o que ela realmente disse e ignorei as "headlines" escritas por uma mongolóide wannabe qualquer do JB.

Só pra deixar constar que eu não gosto da Luana Piovani. Nunca gostei e não sei se consigo gostar. Eu acho ela nojenta. Por isso mesmo que resolvi comentar isso por aqui. Para tentar mostrar que até com os seres que a gente não vai com a cara, ou simplesmente não gosta mesmo, temos algo a aprender; temos alguma lição para ser tirada.

Confesso que não esperava ler algo tão lúcido e verdadeiro de alguém que namorou o Dado Dolabella (e ainda levou porrada do tal). E não adianta revelar que está fazendo análise há 12 anos, ou que trocou o método junguiano pelo freudiano há dois anos a fim de "retomar sua vida". Isso não significa bulhufas para mim. Aliás, geralmente, quem faz análise, na minha concepção, é maluco sem volta. Beijos, desliga. (Mas isso já é ponto para outra discussão. Porque acredito que ninguém tem poder, nem mesmo cabeça, para dizer quem é maluco e quem é sano. Ou mesmo para ajudar alguém a superar seus problemas psicológicos.)

Mas cada um com o seu cada um.
Aqui, venho proclamar minha admiração por este lado que não conhecia da Piovani, apesar dos pesares. E comentar que achei engraçado ler isto logo três dias após uma conversa bem interessante de família que tive entre mim, minha tia "sabichona", minha avó (hipérbole humana) e meu primo. Tal conversa consistia exatamente discutir sobre este assunto de "cara-metade". E é nessas horas que a hipocrisia grita, urra, vem te dar tapas violentos na cara. Sim, porque esta minha tia começou a falar da namorada do filho e do meu irmão como se estivessem errados em "grudar" nos parceiros e em toda a claustrofobia alheia que isto causa nela, mas finge não perceber ou até mesmo admitir que o marido dela faz exatamente o mesmo. Tipo, ALÔ??? Acorda! Espelho! Por favor!!! Pelo menos a minha avó admite suas convicções. Às vezes, tais convicções parecem retrô até demais, mas são verdadeiras, legítimas.

Apesar de tudo, foi uma conversa engraçada e interessante e muito boa para mais um dia de auto-análise da minha parte. Observar é absurdamente importante. A gente aprende mais do que fazendo qualquer outra coisa.

Também foi bom ouvir da minha avó que ela acha que eu dei a volta por cima. Parece até mesquinho dizer que você só se sente bem quando alguém de fora te diz tal coisa, mas não estou aqui para engordar a lista de hipócritas, thank you very much. Admito que é isso, sim. Saber intimamente que eu mudei e muito é muito bom, mas ouvir isto de outra pessoa, principalmente de alguém que se orgulha de você é impagável. E é ainda melhor pro ego quando você sabe que fez isso sozinha, por sua própria conta, sem a ajuda de ninguém. É uma sensação de poder inenarrável que, não controlada, pode nos levar a uma ego trip escrota. Então, é sempre bom acordar pra vida e abraçar a humildade novamente para não se render à arrogância zaratústrica.

O importante disto tudo é que Luana Piovani sublinhou o que venho dizendo há anos: NÃO EXISTE METADE DE ALGUÉM. NÃO EXISTE. Você é um, a pessoa é outra. Você mais a outra = duas pessoas, e não uma. A falta de independência que eu vejo nos relacionamentos alheios me dá nervoso, me dá nojo e me dá vontade de sair correndo daqui e viver em outro planeta. É algo tão patético, tão fraco, tão loser que muitas vezes prefiro parar de conviver com a pessoa do que ter que aturar aquilo sempre. E o meu nojo vai aumentando tanto que começo a achar que os seres humanos normais, sensatos e lúcidos não existem e que, por isso, eu vou acabar sozinha. Sim, porque não quero metades. Beijos, get out of my fucking face! Quero inteiros, quero o ideal, segundo Piovani. É isso que eu sempre quis. Não me interessa seres que precisam de mim pra viver. Isso me dá nervoso demais. Como Alanis diz na letra de "Not the Doctor": "I don't wanna be your mother, I didn't carry you in my womb for nine months." ou "I don't wanna be your idol. See, this pedestal is high and I'm afraid of heights." Ou a letra inteira, que traduz.

Ultimamente, praticamente todos os meus amigos tem estado nessa situação nojenta e eu tenho ficado isolada do mundo por preferir não conviver com tal pateticidade. Acho que só existiram dois relacionamentos saudáveis que conheci: o do Marcos com o João Márcio, e o do Vinicius com a Tathyana. Ironicamente, os dois terminaram. Sim, porque as pessoas gostam de ser infelizes.

Bom, I rest my case.
We're all born to be loners or born to be losers.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

best company

Sem tananismo, sério.

Mas eu cheguei à conclusão de que meus melhores companheiros são a música, uma garrafa de vinho tinto italiano, luz negra e um incenso queimando madrugada à fora.

É muito bom.

Só não é bom quando eu fico admirando a perfeição do corpo da Mia e querendo ele pra mim.... aí é trash e é absurdamente covardia...

=/

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

InterviewProject.com

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