first day of the rest of my life
Às vezes fico pensando no por quê de certas coisas... tipo, por que fui ter dor de estômago lancinante e febre de 38 graus logo hoje? No último dia para entrega do meu roteiro. Ou, por que diabos a minha avó falou pra mim, na sexta-feira: "Você num pode ficar doente, hein?" depois de me perguntar 3 vezes se eu tinha ido ao médico. Aí, domingo acontece e eu? Paranóia virou realidade, né? Ou será que a neurose psicótica de uma hipocondríaca mór inveterada acabou criando psicologicamente essa doença?
Hmmmm... food for thought.
De qualquer forma, certas coisas aconteceram nesse fim de semana que me deram bastante o que pensar. (Mais uma vez... às vezes acho que é só isso que faço...) E é interessante chegar a uma analogia e/ou metáfora de tudo o que ocorrera ultimamente.
Talvez, esta minha "doença criada" seja nada mais, nada menos do que um exorcismo necessário. Pra alguém que acordou de dois sonhos estranho-engraçados e sentiu cheiro de panela queimada (e que, por um triz, não virou Joana D'Arc) no fogão.. isso é só a lógica dos acontecimentos de um domingo esquisito e sem futebol.
Confesso que lembrei de uma data que há muito já tinha esquecido e foi estranho. Não gostei da sensação das coisas. Assim como não gostei do estresse dessa semana ou das palavras desnecessárias de certas pessoas.. ou até do descaso completo de outras.
No fim das contas, foi um momento de cleansing.. de limpeza do organismo.. e, para isso, nada mais óbvio do que uma infecção (tinha escrito inVecção.. pra cês verem o nível da dislexia) digestiva, seguida de febre e dor no corpo. É o parto de um ano e meio de trabalho duro, de dedicação a algo que aprendi a amar com a alma; é a morte de sentimentos ruins e negativos, do desespero anunciado, de sentimentos por gente que não mais me interessa.
Sinto-me literalmente como um vampiro de Anne Rice, morrendo para uma vida e sendo parido para outra. É exatamente essa a sensação.
Posso dizer que 2009 foi, como disse o Marcos, o ano do re-começo, do shake-it-all, da abertura de olhos e caminhos novos. Posso dizer que este ano foi o melhor ano da minha vida até hoje, junto com 2007. Os dois com suas diferenças, mas com alguma coisa em comum. E acredito seriamente que, daqui em diante, muitos outros anos fodas serão vivenciados por essa minha pessoa que nunca desiste das coisas até conseguir.
Aprendi a gostar de mim. De verdade. Apesar do que o mundo a minha volta pense. Foda-se.
Descobri também que ninguém que eu conheça me conhece de verdade, mas que ainda acredito que encontrarei essa pessoa. Eu sei: dizem que ninguém nunca conhece ninguém de verdade. E daí? Eu quero encontrar a pessoa que veja além do que eu projeto; alguém que ME veja. Até hoje, não encontrei quem o tenha feito. E nisso eu acredito, e muito. Não preciso de alguém que saiba de cada mini trejeito ou pensamento meu.. nem quero! Cruzes.. 1984 no ar.. Mas quero conseguir olhar no fundo dos olhos dessa pessoa e, em seu sorriso, entender que não estou sozinha no escuro, que tem alguém ali me compreendendo. Isso: compreensão é a palavra. Real, verdadeira. Amor puro e inocente. Não, isso não é faz-de-conta. É real e possível. E os pessimistas - que ironicamente ME chamam de pessimista - que se fodam. I don't really wanna hear from them.
Quando penso nisso tudo, entendo porque meu estômago resolveu tirar o dia de hoje para me atormentar. É o fim de um ciclo. Um ciclo de 30 anos. Parece muito, mas não é. A vida passa muito rápido e acho que, só hoje, tenho noção do quanto eu vivi e quantas coisas me foram ensinadas através dos anos.
Ainda quero viver mais 30 anos. E depois.. mais 30. Não gosto de envelhecer fisicamente, como acredito que a maioria também não, mas amadurecer é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Isso eu posso atestar e comprovar.
Pensar no tudo que eu tive que lidar, todos os obstáculos que eu tive que ultrapassar, todos os momentos ruins e horríveis que tive que aguentar com um sorriso aberto nos lábios.. vendo que o mundo a minha volta negligenciava completamente a dor que eu sentia ao tentar continuar existindo a cada segundo.. toda a solidão abismal que tive que vencer e conquistar com braços fortes. Tudo isso, tudo isso eu venci. E venci sem ajuda NENHUMA. Enlouqueci diversas vezes; fui ao fundo do poço e voltei; ouvi vozes, vi coisas que não estavam lá, senti pânico paralizador de não conseguir existir no mesmo corpo que a minha mente, me rasguei em milhares de feridas discretas tentando acabar com uma dor que nem morfina faria passar, pensei em acabar com a minha vida pra conquistar uma liberdade que nunca tinha conhecido.. mas venci TODOS os meus demônios sozinha. E agora eu estou aqui: mais forte do que nunca, para conquistar o que é meu de direito; o que eu mereço, o que está destinado para mim.
Não foi à toa que minha mãe escolheu um nome que signifique "Guerreira" em mim. Nem foi à toa que ela escolheu esse nome em um dia de lua cheia, dizendo que pensou que eu seria que nem ela: linda e forte. E, sim, é isso o que eu sou. Apesar dos que tentam, incessantemente, me colocar pra baixo, me tirar do caminho, me diminuir. Não. NÃO. Podem tentar, mas será SEMPRE tudo em vão.
O parto já aconteceu.
A vida nasceu.
E eu estou aqui para vivenciar o primeiro dia do resto da minha vida. Assim como todos os outros que virão depois dele.
Que essa febre se esvaia.. que a dor esmaeça..
O mundo começa agora.
Apenas comecei.

